terça-feira, 11 de dezembro de 2007

PF criará divisão especializada em crimes cibernéticos

A Polícia Federal quer criar uma divisão especializada em crimes cibernéticos. Hoje, eles são tratados de maneira informal dentro da instituição desde 1998, por meio do Núcleo de Prevenção e Repressão aos Crimes pela Internet (Nunet). Mesmo assim, só em 2006, cinco grandes operações foram realizadas. Elas resultaram na prisão de 152 pessoas em todo o País.

A assessoria da PF diz que o projeto de criação da divisão já teria sido aprovado pelo Ministério da Justiça e estaria emperrado no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), desde o final de 2005. As assessorias dos ministérios não confirmam a informação.

Em maio de 2006, a Câmara dos Deputados engrossou o pedido da criação da divisão especializada ao Ministério da Justiça. A sugestão partiu do deputado Mário Heringer (PDT-MG), que chegou a dizer que a ausência da divisão não condiz com as pretensões de desenvolvimento do Brasil. Segundo a assessoria do deputado, até hoje o Ministério não respondeu o pedido.

Aumento dos casos
O delegado do Nunet Cristiano Barbosa Sampaio afirma que, nos últimos anos, a demanda por investigações de casos como pedofilia na Internet e furtos de senhas de cartões de crédito pela rede aumentou. Sampaio defende urgência na criação da divisão. “Com ela, teremos delegacias especializadas em cada estado, e com efetivo local. Hoje fazemos malabarismo para dar conta de tudo”, conta.

Atualmente, cerca de 40 policiais federais concentrados em três estados atuam no combate aos crimes virtuais. A coordenação da equipe fica em Brasília e é formada por quatro pessoas. “A cada ano, temos conquistado mais êxito nas operações e aumentado o número de prisões”, afirma Sampaio. De 2001 a 2004, cinco grandes operações prenderam 157 pessoas.

Em 2006, foram oito ações nacionais e 205 pessoas presas por cometer crimes virtuais.
Em fevereiro de 2006, a PF atuou em conjunto com a polícia de cerca de 30 países na operação Azahar, que combateu a pedofilia na internet. No Brasil, as investigações atingiram 11 estados. Para o delegado Sampaio, a operação Azahar foi um marco para o Brasil, já que permitiu a inclusão do país no circuito internacional do combate aos crimes cibernéticos. No entanto, ele diz que a polícia brasileira está atrasada. “Não é difícil perceber isso. Países como Panamá, El Salvador, Colômbia e Chile estão muito mais organizados que nós”, aponta.

Na opinião do delegado Sampaio, a criação da divisão também pode permitir melhor treinamento da equipe. Além disso, ele acredita que, sem a divisão, a atual equipe corre o risco de ser desfeita com mudanças de chefia.

O projeto para criar a divisão especializada em crimes cibernéticos começou a ser estudado internamente em 2003. A demora na concretização da idéia preocupa Sampaio, que faz questão de deixar claro que vê a Internet como aliada. “Se não garantirmos segurança aos usuários da rede, as pessoas passarão a ter medo de usar uma ferramenta preciosa”,

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